domingo, 28 de junho de 2009

Atendimento humanizado é tendência mundial no tratamento de pacientes com câncer


Evolução no atendimento médico a pacientes de linfoma e leucemia mostra a necessidade de cuidar também do doente e não apenas da doença.


Do surgimento das primeiras instituições de saúde até os dias de hoje, em que existem centros de tratamento de última geração, a humanização do atendimento a pacientes com doenças graves como o câncer é um fator que tem evoluído lentamente, numa velocidade infinitamente menor se compararmos com a que são descobertos novos tratamentos.

Felizmente, médicos e profissionais da saúde estão trabalhando para mudar essa situação.De acordo com a mestre em Psicologia Heloisa Chiattone, chefe do serviço de Psicologia do Hospital do Servidor Público e coordenadora do Comitê de Psicologia da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE), a humanização no tratamento é um valor que precisa ser resgatado. “A prática da Humanização não é necessária apenas por uma questão ética, e sim por uma urgente necessidade na área de saúde, e de se passar da ética da conquista à ética do cuidado. Essa é uma tendência mundial, verificada nos mais importantes centros de tratamento oncológico”, explica.

Cuidar vem do latim cogitare, que significa “tratar de”, “assistir”, “ter cuidado”. Para a psicóloga, é fundamental considerar que a humanização do atendimento em saúde deve ser entendida como um valor à medida que busca resgatar o respeito à vida humana, envolvendo circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas presentes em todo relacionamento humano. “Sem cuidado, nada que é vivo sobrevive”, lembra Chaittone.

Em suas origens, a Medicina era essencialmente humanística. Historicamente, as instituições de saúde sempre acolheram os doentes, mas a finalidade variava de local para local e de época para época. No período pré-científico, as instituições de saúde funcionavam como um depósito para gente doente, em grande parte, pobres e indigentes, que não tinham condições de tratamento em casa. Freqüentemente, estas instituições foram dirigidas por religiosos, que inspiravam-se na parábola do bom Samaritano, acolhendo os doentes por amor a Deus e ao próximo.Com o surgimento da medicina científica, a relação médico-paciente tornou-se profissional. O processo de supervalorização das ciências biológicas, da super especialização e dos meios tecnológicos que acompanharam o desenvolvimento da medicina nestas últimas décadas trouxe como conseqüência mais visível a “desumanização” das práticas em saúde. “Aquele que deveria cuidar foi se transformando cada vez mais em um técnico, um especialista, profundo conhecedor de exames e condutas de alta complexidade, porém, distante dos aspectos humanos presentes nos pacientes e familiares”, explica Chiattone.As pessoas que cuidavam dos doentes tornaram-se profissionais liberais, com formação acadêmica e remuneração. Com isso, o hospital se profissionalizou. “Ganhou-se em competência e eficiência técnica, mas perdeu-se na dimensão humana, pelo incremento das relações de trabalho”, enfatiza a psicóloga. Atualmente, a Humanização é apontada como tendência no tratamento do câncer.

A Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde pressupõe mudanças no modelo de atenção e gestão. “A política do governo entende por Humanização a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde e enfatiza a autonomia e o protagonismo desses profissionais, a co-responsabilidade entre eles, o estabelecimento de vínculos solidários e a participação coletiva no processo de gestão”, enfatiza a psicóloga.

Médicos e profissionais da saúde de diversas áreas como Enfermagem, Odontologia, Psicologia, Nutrição e Terapia Ocupacional defendem a necessidade de cuidar do doente e não apenas da doença. “A Humanização voltou a ser levada em conta, especialmente no atendimento a pacientes com doenças complexas como linfoma, leucemia e outros tipos de câncer”, explica Ana Lúcia Cornacchioni, oncologista-pediatra do Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (ITACI) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE). “O paciente que recebe tratamento humanizado tem mais chances de cura, pois adquire melhores condições psicológicas, emocionais e físicas para enfrentar a doença”, complementa.A prática da humanização vem sendo disseminada nos centros de tratamento brasileiros por grupos formados por profissionais de saúde que se dedicam a levantar discussões e divulgar informações sobre o assunto em palestras, congressos e conferências com o objetivo de promover melhorias nas instituições de saúde do Brasil. A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE) é um desses grupos. Por meio de um Comitê Científico formado por médicos e profissionais da saúde dos principais centros de referência no tratamento onco-hematológico do Brasil, a organização não-governamental se empenha em incentivar a humanização da relação médico-paciente nos hospitais de todo o país.

Mais informações: www.abrale.org.br

Um comentário:

Tudo de tudo! disse...

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